
Paz...paz...muita Paz...alegria...Paz!!
Sabe, gostaria de compartilhar algo bem meu pra você...é bem meu, mas pode ser BEM para você também...
Faz pouco tempo que deixei a "igreja"...mas parece que faz séculos...
Senti algo semelhante quando me converti a Jesus...poucos dias depois do ocorrido eu me sentia como se Nele eu sempre estivesse estado...ainda que não soubesse...
Sabem como é, eu me sentia tão seguro Nele que mesmo os vinte poucos anos que eu havia tentado viver sem Ele (ainda que seja impossível) estavam agora debaixo da cobertura e proteção de Sua Graça, pois passei a enxergar que Ele havia estado comigo em tudo, mesmo quando no seol eu fazia a minha cama...
Mas, no início da minha fé, minha esposa não sentia o que eu sabia e nem sabia o que eu sentia...No entanto, pouco tempo depois eu assisti à conversão dela. Ela talvez não saiba, mas vê-la confessar sua fé e nascer de novo em Jesus foi o evento mais lindo que contemplei em toda minha vida...mais lindo até que o nascimento físico de meus filhos. Na noite da conversão dela, ela glorificou a Deus dormindo a noite toda...ela simplesmente dormia e falava...eu estava com amidalite, fiquei a noite toda sentado na cama, chorando, tentando enteder que mistério lindo era aquele que se realizava diante de mim...uma hora ela acordou, botou a mão na minha garganta e orou...a dor imediatamente se foi...
Com Jesus, Vida nova, sem "igreja", a vida é nova também...
Você sabe a sensação de não ter que dizer "eu tenho de ir ao culto hoje"?? Pois é, hoje eu sei...pois HOJE passou a ser o dia-espaço-tempo-eterno do meu culto...o dia de HOJE...link entre a eternidade de Deus e a minha temporalidade temporária...
A frase acima é bem fácil de escrever, difícil é torná-la existencial e vivê-la quando não estou aqui escrevendo...nesse momento-transe-desejo de compartilhar o Evangelho de Jesus em mim...lidando com o trabalho, exigências domésticas, cansaço físico, fadiga mental do dia-a-dia...
Quando na "igreja", sobretudo quando superintendente de "igreja", eu vivia intensas "crises de segunda feira". Sim, porque o domingo era intensamente cheio "espiritualmente"...explico:
Domingo
6 hs - acordar para revisar a lição da EBD,
8 hs - arrumar a tropa (esposa, três filhos e eu)..."Querida, não posso chegar atrasado..." Resposta "Meu bem, não aguento mais você me apressando..."
9 hs - ministração da lição
11hs - atendimento pastoral...
12 hs - almoço - regado a muito papo sobre o que aconteceu na igreja de manhã...
14 hs - sono forçado - eu não era de ferro...rsrs
15:30 hs - o sono acabava - a preocupação de ter que pregar à noite...
16 hs - preparar a pregação da noite..."Senhor, pelo amor de Ti, me dê uma palavra..."
18 hs - arrumar a tropa (esposa, três filhos e eu)..."Querida, não posso chegar atrasado..." Resposta "Credo, não aguento mais você me apressando..."...rsrsrs
19 hs - culto e pregação...
21 hs - atendimento pastoral...
22 hs - lanche - regado a muito papo sobre o que aconteceu na igreja de noite...
23:30 hs - sono forçado - eu não era de ferro.
Segunda-Feira...pi pi pi pi pi (maldito despertador)...hora de voltar à vida normal...depressão-pós-culto.. .só minha namorada Lisa e uma seção de cinema depois do trabalho pra conseguir me relaxar...
Que o teor sarcástico e até cômico não engane quanto à intensidade e seriedade com que eu vivi essa rotina durante muitos e muitos anos...mesmo quando eu não era pastor...afinal...meu ativismo na igreja era a única forma que eu via de atender o meu chamado de servir a Cristo. Quanto mais cansado mais santo eu me sentia...
Ano passado...cheguei no meu limite...liguei para o meu pastor e amigo Rui e despejei..."Amigo, preciso de um tempo pra minha família, para minha saúde mental, para minha vida e para a minha alma...". Com isso, deixei-o na mão quanto a muitos planos para a igreja que havíamos feito, passei a dedicar-me exclusivamente ao ensino e a pregação da Palavra, mas a leveza com que isso era feito tornou essas duas atividades um bálsamo para minha alma...comecei a provar o gostoso gostinho da liberdade de ser eu mesmo, mesmo com minhas limitações, em Cristo.
No início desse ano, com a de-cisão tomada...procurei o pastor superintendente do setor e saí de vez.
Que saudade dos irmãos que não mais vejo, mas que alívio na alma por não ter nunca mais que consentir com o que não concordo...por não ter que apoiar - nem com o meu silêncio - pregações desprovidas de Graça que tornam as pessoas cada vez mais reféns da instituição e seus donos e coisas que são feitas em nome de Jesus mas que passam longe do espírito do Evangelho...
Não pense que não tenho tido crises...o que ocorria na segunda feira agora ocorre todos os dias com intensidade bem maior. Todos os dias tenho que enfrentar os dilemas objetivos e subjetivos da vida...o desejo de ser engolido pela Eternidade (maranata), as incoerências de meu próprio ser...as frustações de desejar o bem e não conseguir realizá-lo...a saudade de meus dois filhos (faz tempo que não os vejo, estão de férias)...a obrigação de pagar as prestações do meu carro (carro grande...prestação grande)...e também...a tristeza de não conseguir escolher bem as palavras que lhe transmitam a Alegria, a Paz e a Segurança que tenho em Jesus, mesmo diante da morte. Paradoxal, não? Mas não tenho problemas com paradoxos, afinal, sou pecador e vou herdar o reino dAquele que é Santo! Quão insana é essa minha fé em Jesus!!
Pois é, sentir a segurança em Cristo longe da segurança da "igreja" é algo novo pra mim. Contemplar a Graça de Deus tragando a maldição da Lei em mim, é algo novo pra mim. Ter a liberdade para pecar, sem a fiscalização da igreja, mas ver-me cada vez mais escravo de Jesus Cristo é algo novo pra mim. Confessar e experimentar que a consciência da Graça encaminha para a piedade e não para a libertinagem é novo pra mim. Acreditar que Deus fará grandes coisas através de mim mesmo não tendo mais um púlpito para pregar é minha loucura e é algo novo pra mim.
Mas no início dessa minha loucura, minha esposa não sabia o que eu sentia e não sentia o que eu sabia. Eu só tinha dela a confiança conjugal de que a minha loucura acontecia em Cristo, mesmo sem ela entender. Aconteceu a ruptura, aconteceram alguns encontros cheios de Graça lá em casa, aconteceu a cirurgia dela (histerectomia) e então, aconteceu...
No último sábado, quase madrugada, na varanda de minha casa, ouvi minha eterna namorada dizer em meio às lágrimas, com uma eloquência quase apocalíptica, as coisas que o Evangelho estava fazendo dentro dela. Era como João tentando descrever as visões que ele teve na Ilha de Patmos...só faziam sentido diante da vitória da Cruz. Ela gemia enquanto falava, no afã de me fazer entender as coisas indizíveis e inefáveis que vinham se passando dentro de seu ser...Que pregação, que Graça, que alegria!!!! Contemplei o esvaecer da culpa e o alvorecer da liberdade em Cristo...Algumas coisas você compra com Mastercard, outras coisas, NÃO TEM PREÇO!!
É um bem...é meu bem...é bem meu...mas precisava compartilhar com você!!
Vivo na esperança de que mais e mais casais e pessoas possam descansar em Cristo!
Só quando Nele descansamos é que podemos ser de alguma valia para alguém!
Só Nele,
Rubens Jr