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O AMOR VENCEU O MEDO


Há muito tempo atrás, disse João: “No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor.”


Ontem à noite em nossa reunião, minha querida amiga Milena disse: “O amor lança fora o medo”.

Hoje, meu coração diz: “O amor venceu o medo, sempre vencerá!”

Essa minha introspecção anunciada está relacionada ao momento em que vivo agora, na minha vida pessoal, na minha vida profissional e também na proposta de vida comunitária que estamos construindo na Estação Iguatemi, no Caminho.

Segundo a Wikipédia, o medo é um sentimento que proporciona um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisicamente como psicologicamente.

Graças a Deus por esse santo mecanismo que nos alerta para o perigo e nos coloca em estado de vigília. Não disse o Senhor para vigiarmos?

Mas o medo que precisa ser vencido é o medo de fazer o que o coração e a mente iluminados pelo Evangelho dizem ser o certo. É o medo de amar! É o medo de se entregar como sacrifício vivo ao Senhor! É a falta de fé nas palavras de Jesus que dizem: “Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará.”

De maneira geral, isso significa não temer novas soluções, novos caminhos, desde que o alvo a ser perseguido promova o bem.

No início do ano passado, quando nossa estação se construía, firmamos um acordo tácito de vivermos juntos a Igreja do Senhor Jesus, tendo-o como único fundamento desta vivência. Na nossa insignificância geográfica, numérica, financeira, organizacional, propusemos criar, para nós mesmos, um ambiente onde os valores eternos do Reino de Deus são incentivados e buscados.

Mas pairava um medo no ar, o medo de nos tornarmos, enquanto grupo, a repetição do que já vivemos. E nesse contexto, palavras como organização, a estruturação, programação eram verdadeiros tabus.

Um doce para quem acertar: qual é, então, a solução para um grupo que quer crescer enquanto organismo vivo, sem se institucionalizar?

Resposta: O amor!

Obs.: Os vencedores podem pegar o doce durante as reuniões que ocorrem lá em casa.

E por falar em doce, foi a doçura das palavras da Milena que fechou, com chave de ouro, a questão, quando ela disse ontem ao grupo: “Se havia algum temor, algum medo de se entregar, ele se desfez”.

Como se diz lá em Goiás: “Minha Nossa Senhora!” Não houve promessa de que não cometeríamos erro! Não houve garantias de perpetuidade desta iniciativa! Não há sequer o desejo de que “esse negócio dê certo”! Não há “negócio”! O que há é o desejo ardente de crescermos no Senhor e acreditamos piamente que a nossa vivência coletiva contribui significativamente para isso. 

Foi o amor que venceu o medo no coração da Mila. Foi o amor que venceu o medo em nossos corações! E esse amor é tanto a consciência do amor de Deus por nós quanto o amor que temos sentido uns pelos outros, mesmo em meio as nossas ambiguidades.

Organização, programação, estruturação? Serão usadas enquanto forem meios (ferramentas) para a potencialização do que podemos fazer de bom. Quando se tornarem um fim em si mesmas, por nossa própria ignorância ou ambição, a gente quebra tudo, se converte à vida novamente e começa tudo de novo, no amor  !

Falando apenas por mim mesmo, carrego no coração uma certeza - sou o único capaz de boicotar a minha própria felicidade nesta vida. Por isso, como Paulo, considero-me morto para esse mundo, para que eu possa viver sem medo neste tempo em que só a fé nos põe diante do Deus que chama à existência as coisas que não existem! E o amor tem trazido à minha vida possibilidades antes escondidas na cortina do medo!

No amor Daquele que venceu a morte e o medo!



Rubens
Salvador
Janeiro de 2011