“O dinheiro que temos é o instrumento da liberdade; aquele de que andamos atrás é o da servidão”. (Jean Jacques Rousseau).
Há alguns anos atrás, numa festa de despedida de um professor catedrático da USP, foi franqueada a oportunidade para que se fizesse perguntas ao mestre que agora gozaria de merecida aposentadoria.Um amigo aproveitou para indagar:
Professor, qual a maior riqueza de um homem de mais de 70 anos?
O decano respondeu: “A capacidade discernir entre o que é importante e o que não possui nenhum valor”.
O mundo pós moderno, se é que podemos classificar assim a esta geração, se caracteriza, entre outras coisas, pela exacerbação do ter, em detrimento do ser.Ter fama, ter dinheiro, obter reconhecimento, ter notoriedade, ter milhões de “amigos”, de conhecidos, de seguidores, de admiradores, ter bens para mostrar, para ostentar, para evidenciar poder, para garantir autoridade, para legitimar o sucesso, para referendar até a fé, tem sido o alvo e a razão da vida de milhões.
Aqueles que estão à margem de tudo isso, são como se nunca tivessem existido.Não possuem valor social, não despertam interesse, ninguém busca espelhar-se em um indivíduo sem o “prestígio” que o mundo exige.
Qual é a nossa riqueza? O que determina o seu valor?
É a reputação que valida quem você é? Reputação é a análise exterior, isto é, o que pensam sobre você, o que acham a seu respeito, mesmo que essas avaliações estejam longe de determinar quem você de fato é.
No afã de satisfazer a essas demandas pós modernas sedimentadas no Ter, a busca pelas riquezas faz indivíduos bons se tornarem maus, faz gente simples se tornar arrogante, faz pessoas antes comedidas e satisfeitas se tornarem mesquinhas e ambiciosas, sem escrúpulos quando buscam realizar o desejo de ter.
Filhos perdem, a esposa perde, os amigos perdem, o indivíduo perde a vida, perde a chance de vivê-la de modo contemplativo, gozando de suas belezas, perde o privilégio de vivê-la com intensidade as alegrias e tristezas.
A vaidade do rico, o poder do estadista, a coragem do militar, e a fragilidade da juventude não podem ser o alvo de nossa existência, pois tudo passa. Valem mais os afetos que plantamos em nossos filhos, a confiança que os nossos amigos têm em nossa palavra e o amor de Deus que encarnamos em todos os nossos atos. Estava certo o escritor bíblico: “O mundo e a sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1 João 2.17).
Somos tão fúteis quanto qualquer incrédulo que rejeita pautar a sua vida pelo Evangelho.Não levamos a sério os ensinos de Jesus.A nossa fé é utilitária, quando muito fruto da percepção da culpa ou do medo que temos, que nos faz pensar que desafiamos o divino.
Jesus afirmou que ninguém deve pedir coisas materiais - sequer comida e vestido - pois Deus sabe das necessidades de seus filhos, porém as igrejas ensinam a “bombardear” o céu para conseguir uma ou outra bênção.
Ele afirmou que nenhum dos seus amigos pode acumular riquezas aqui onde a ferrugem corrói e o ladrão rouba, porém as pessoas se angustiam querendo armazenar o máximo que lhes garanta o futuro.
Ele afirmou que seus seguidores devem buscar em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça, mas os cristãos pós-modernos se ocupam em galgar as apertadas malhas sociais, por isso o culto fica espremido num tempinho que sobra nos fins de semana.
Ele afirmou que todos os que amam sua vida a perdem e que os dispostos a perderem sua vida por amor a Deus a ganham. Como os cristãos não gostam desse texto, ele jaz numa prateleira, esperando alguma interpretação mais amena.
Ele afirmou que as pessoas devem vender suas posses e dar esmolas, porém os cristãos fazem exatamente o oposto, acumulam e quando ofertam alguma coisa, dão sobejos – geralmente muito pouco.
Ele afirmou que é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no céu, porém os cristãos preferem interpretar que Jesus exagerou em algumas de suas declarações.
A quem estamos servindo? A quem ou para o que estamos doando nossas vidas?
Ao investir a sua vida em fazer o bem, estará fazendo um investimento eterno.
Pense nisso.
Com carinho e amor por sua vida,
Romualdo Junior
O Caminho é uma pessoa e seu nome é Jesus!
O maior é aquele que mais serve!