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RE: [Caminho da Graça na Bahia] Retorno à simplicidade, ao primeiro amor...

Fantástico Romualdo! Obrigada por nos alimentar com essas belas e sàbias palavras.
Estou de longe mas me sentindo próxima em espírito.
Fiquem na paz e no grande amor Dele


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Subject: [Caminho da Graça na Bahia] Retorno à simplicidade, ao primeiro amor...
Date: Sun, 3 Nov 2013 16:50:37 -0200

Neste sábado refletimos sobre o ditado que Jesus fez a João enquanto este esteve preso na Ilha de Patmos. A reflexão se deu especificamente no Cap. 2  e versos 1-7, de Apocalipse.
Jesus se dirige à Igreja de Éfeso, uma cidade greco-romana situada na costa ocidental da Ásia menor, segunda maior e mais importante cidade do império e que hoje equivaleria à Paris de nossos dias.
Éfeso é até hoje considerada um museu a céu aberto, uma das maiores zonas arqueológicas do mundo.A sua urbanização é obra de um dos mais célebres arquitetos da história, Hipódamos. 
Éfeso foi um dos grandes centros culturais e econômicos da época, tinha entre seus atrativos o Templo de Ártemis, uma das sete maravilhas do mundo antigo.
Paulo é um dos responsáveis pela consolidação da Igreja em Éfeso. Lá ele visita os primeiros crentes, discípulos de João Batista.
Conhecer a história do surgimento desta igreja é fundamental para compreender as palavras de Jesus dirigidas a ela. A sua origem, que se dá com a pregação de João Batista, evidenciaria, mais tarde, traços sublinhados por Jesus no apocalipse, tais como, a ortodoxia, o cuidado com a doutrina, com a aprendizagem sistemática, o zelo pelos ensino, a cautela com os falsos pregadores, com supostos pastores, com novos moveres, a disposição em proclamar o Evangelho, em fazer conhecido o Reino de Deus.

Paulo ao se despedir dos bispos de Éfeso no Cap. 20,  também chamados de anciãos da igreja, admoesta-os que cuidem e auxiliem os enfermos, o que dá pistas de que aquela igreja era sensível ao sofrimento do povo, dos menos favorecidos, e que o Evangelho do Reino que haviam aceitado, incluia a prática das boas obras ao próximo como manifestação do amor com que eram amados pelo Senhor.

Ainda que reconhecendo todas as virtudes daquela igreja, Jesus faz uma ressalva que ecoa até hoje e também se aplica à Igreja contemporânea: eles haviam deixado o primeiro amor.

Voltar ao primeiro amor é voltar à origem de tudo. É voltar àquilo que já foi essencial para você, é voltar à videira verdadeira, é também um retorno à intensidade com que se cria ou à intensidade da prática do Evangelho, mas é, além disso, uma volta ao que de fato importa: Jesus.

É volta à seiva, é volta à vida, é voltar ao que um dia já foi o mais valioso, a melhor parte.

Jesus disse: Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, Ele o corta, e todo o que dá fruto, Ele limpa para que produza mais frutos ainda.Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado: Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode produzir fruto de si mesmo se não permanecer na videira, assim nem vós o podeis dar frutos, se não permanecerdes em Mim.Eu sou a videira,vós os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muitos frutos, porque sem mim nada podeis fazer. 

Quando Jesus diz à Igreja de Éfeso que tinha contra ela o fato de deixado o primeiro amor, significa que o que ele via era igreja amando a doutrina correta, a ortodoxia, o programa, o compromisso com o que julga ser correto.

O primeiro amor, porém, aniquila qualquer outra forma de amar.

As igrejas estão abarrotadas de gente que ama o programa, o circulo de amigos, as reuniões costumeiras, os rituais, a liturgia, os grupos, as classes, a EBD, os ministérios, as atividades, as amizades que lá são firmadas e que oferecem ao indivíduo um sentimento de pertencimento e, por conseguinte, uma sensação de segurança social, agregando também segurança virtuosa, apreciadora e guardadora da moral...

Tais coisas são admiráveis, lindas, enlevam moralmente e socialmente os que as praticam, mas é tudo muito morto, oco, vazio. Se carregassem um correspondente conteúdo no coração seriam perfeitas e jamais necessitariam ostentar exteriormente nenhum sinal, no mais das vezes, entretanto, o que exteriormente é mostrado não guarda nenhuma similitude com o que habita o interior de quem só se preocupa com os resultados visíveis.

É lindo e maravilhoso para a religião dos fiéis contra infiéis, dos que dizem ou pensam ser para os que não são, mas Jesus não nos chamou para amar doutrinas. Ele não nos chamou para cumprir scripts sociais moralmente aceitos, o chamado não foi para empunhar a bandeira de um conjunto de crenças que prevalece sobre outras nos fazendo sentir superiores moralmente aos demais.

Essa construção já era bolorenta e mal passada o suficiente, por isso Jesus a desprezou, considerando-a vazia de verdade, cheia de hipocrisia, por esta razão a comparação que Ele faz daqueles que a praticam é a de sepulcros caiados, exteriormente belos, pintados, apresentáveis, e por dentro, cheio de ossos, putrefatos, mau cheirosos...

É lindo por fora, é sistematizada, é articulada, bem escrita, tem aparência de vida, mas só cheira a morte.

Quem perdeu o primeiro amor, perdeu a paixão por Jesus, a paixão da fé, o surto de carinho por Cristo, o coração quebrantado pelo divino, acostumou-se ao sublime, tornou-se cínico intelectualmente, espiritualmente e sensorialmente.

Por isso a relação com Cristo é comparada à relação entre o esposo e a noiva. Por que quem perde o primeiro amor fica semelhante ao homem ou mulher que estão casados com o casamento e não com a pessoa que um dia disseram amar.

Por isso, a maioria quando se separa sofre muito. Não por que continua amando aquele ou aquela a quem se deixou, mas por que sente uma saudade imensa de tudo o que cercava a relação. Tem saudades da casa, da comida, dos amigos à volta, do simbolismo que a entidade conjugal representava socialmente, da segurança que supostamente gozava na estabilidade daquela relação e até da saudade do que já não é.

Por isso também, há muita gente que não consegue se admitir caminhando com Jesus sem o vinculo com o grupo do qual faz parte. Por isso tanta gente sofre quando deixa a igreja que frequenta. A saudade do programa, das músicas, da liturgia, da ida costumeira às reuniões em horários e dias também costumeiros, o encontro com pessoas com quem tinham empatia, a insegurança do novo, tudo isso forma um caldo emocional substancial e vira uma lacuna para muitos que destes ambientes se afastam.

É que seguir a Jesus deixou de ser simplesmente segui-lo e você confundiu segui-lo com a prática religiosa, com a vivência dessas atividades que deveriam ser somente acessórias.

Quando isso acontece, a gente sabe de tudo, gosta de tudo, se alegra com todos esses acessórios, mas o que menos a gente conhece é a Jesus.

O equívoco continua quando consideramos que Ele será ainda mais conhecido de nós a medida que aprofundamos os estudos sobre Ele, quando estudamos teologia, doutrinas, quando sistematicamente, tentamos desvendá-lo à maneira humana.

Deus não é uma doutrina. Jesus não é um pacote doutrinário tampouco. O Justo vive pela fé, a fé, contudo, não é uma aquisição humana, construção cultural, a fé é surto de confiança em Deus, por amor.

Foi o amor de Deus, reconhecido pelo apóstolo Paulo, que o constrangeu a ponto de sua fé ter sido uma fé grandiosa no Senhor que ele tanto amor.

A doutrina que o apóstolo conhecera ao longo de dezenas de anos de estudo não foram suficientes para barrar o fluxo do amor que o invadiu um dia no caminho de Damasco.

O que teve significado para Paulo foi a verdade do vinculo do amor de Deus.

Por isso Jesus advertiu que o ramo não pode sobreviver sem a videira. A religião é fruto dessa presunção humana de que o homem poderá sobreviver fora da Videira verdadeira.

Por isso também Paulo vaticina que sem amor nada aproveita, posto que nada terá significado para Deus se não existir pelo amor, posto que Deus é amor e só é de sua natureza, só tem a sua essência aquilo que é feito é feito em amor e aquele que é em amor.

Tudo o mais existe, obviamente. Há uma imensidão de construções e fazeres humanos, há obras humanas por todo o mundo  e por toda a história, mas somente o que é feito é amor é para Deus de fato, somente o que é feito em amor ganha natureza e significado eterno.

O "último amor" é posto em contradição ao primeiro amor por que aquele é feito de obras, de atividades, de performances justas e sérias, de respeitabilidade que zela pela imagem que foi formada sob o pretexto de que tal zelo cuida de resguardar a pessoa ou a instituição que ela representa no mundo.

É mais cômodo falar de amor, organizar programas e conceber projetos que sirvam aos pobres ou à humanidade do que amar ao próximo.É muito mais fácil empreender o que pode ser reconhecido como obra de bondade do que simplesmente amar com todas as implicações que o amor carrega.

Amar ao que está próximo, sejam amigos ou parentes, pais, filhos, esposo ou esposa, sem observadores e sem testemunhos proclamativos é fruto natural de quem se enxerga e se entende ligado à videira, fonte do amor, do qual se é somente um ramo.

Para Marta, cuidar da casa, limpá-la, lavas as louças ou cozinhar pratos apetitosos para Jesus era mais fácil do que somente assentar-se ao lado Dele. Marta cuidava das exterioridades e da forma, da estrutura, das obras, dos afazeres inadiáveis, fugindo, porém, da entrega própria de quem compreendeu que depois de ter encontrado Jesus nada mais importa, qualquer outra coisa tem significado tão básico e tão pobre, que não merece a perda do privilégio de fruir do Mestre.

Crer como no início, surpreender-se, alegrar-se, encantar-se novamente como uma criança é algo que paulatinamente somos influenciados a evitar. Afinal, já somos maduros, já vimos de tudo, conhecemos tudo.

Voltar ao primeiro amor se torna difícil. Depois de tanta história, tantas experiências, de ter visto tanto, de já ter aprendido a discernir o que supostamente é e o que supostamente não é?
Ficamos crentes "casca grossa", "safos", ninguém nos engana. 

Você pode dizer para Jesus que você rejeita os homens maus, os falsos profetas não tem vez com você e Ele vai dizer que seu cuidado é admirável, mas não é suficiente se não carrega amor.

Não adianta o seu ativismo, não pense que por que você criou uma fábrica de obras você está dando frutos para Deus.
Não pense que todos os movimentos, as cruzadas, as evangelizações, as obras sociais, os programas de rádio ou tv, os livros, não pense que isso são frutos que você oferece a Deus.

Ora, Jesus referindo-se a pessoas que fizeram maravilhas, curaram enfermos e expulsaram demônios, foram pregadores eloquentes e converteram a milhares, dirá naquele dia: Não vos conheço. 

Tudo feito em nome de Jesus, mas tudo feito sem amor. Era em nome Dele, mas não tinha Ele (Jesus) nessas ações.

Em Jesus só o amor gera e dá fruto, sem amor é somente obra.
Jesus diz para você:Tenho saudades de seu amor meloso e apaixonado por mim.

Quem segue a estrada realiza obras grandiosas, monumentais, porém fugidias, temporais, quem fica no Caminho, realiza obras do amor, que o tempo não apaga, tem valor eterno.

Chega de lembrar do que você já fez. Quem assim o faz é por que só consegue cogitar as realizações humanas, fruto de suas boas intenções. Deus é Deus de hoje,  a renovação da sua mente é hoje e outra vez, outra vez, outra vez todo dia, a cada instante,por que Deus se relaciona com você hoje.

O essencial, você já sabe, é o amor, o primeiro marco que um dia Jesus plantou em seu coração. As demais coisas, são somente acessórios e jamais devem tomar o lugar ou negar o amor.

Romualdo Junior















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